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6 dicas para te ajudar a manter as promessas de Ano-Novo

Dan Josua

14/12/2017 04h10

Crédito: iStock

Todos os meus finais de ano são marcados pelos mesmos tipos de promessa: ano que vem eu vou voltar a correr (ou a jogar futebol ou a nadar). Vou comer de maneira mais saudável, evitando carnes vermelhas e me esforçando para reduzir os doces. Vou ver menos porcaria na TV e vou voltar a ler grandes clássicos da literatura.

Todos os anos eu faço o compromisso de mudar e vejo esse compromisso se desfazendo, como se não tivesse aprendido nada com as promessas dos anos anteriores.

E eu sei que não estou sozinho nessa.

O começo de um novo ano traz a sensação de que podemos começar do zero. De que uma folha em branco é colocada na nossa frente e que podemos escrever nela o que quisermos.

O ano seguinte, contudo, traz as mesmas dificuldades do anterior. Não somos uma tábula rasa: carregamos nossas histórias. O que era difícil fazer em dezembro continua difícil em janeiro. Os fogos de artifício da virada, infelizmente, não possuem propriedades mágicas.

Por isso, se queremos cumprir com as promessas para 2018, é fundamental pensar no que vamos empregar para a mudança acontecer. É fundamental sair da ladainha de que basta força de vontade e vamos conseguir tudo. Até porque o que precisamos é justamente descobrir quais são as ferramentas que alimentam a nossa força de vontade. Talvez esse seja o segredo para cumprir as promessas de fim de ano.

As dicas, a seguir, foram retiradas de diferentes áreas da psicologia. Mas, para funcionarem, precisam ser modeladas tanto para quem você é quanto para o desafio que se propõe a vencer. Retirar todos os cigarros da casa e se determinar a não ir mais a lugares onde é permitido fumar, por exemplo, pode ser uma boa estratégia para quem deseja largar o cigarro. A mesma tática, no entanto, é bem mais complicada para quem quer perder peso. Afinal, na nossa cultura, é difícil se afastar completamente de lugares que oferecem comidas engordativas.

DICA 1:
Relembre por que você fez essa promessa para você mesmo

Por escrito, liste as razões pelas quais é importante para você cumprir o prometido. Plastifique essa lista, coloque-a na bolsa ou na carteira, e releia tudo sempre que possível. Às vezes é fundamental carregar nossos motivos no bolso.

Tente ser preciso. Se o objetivo é perder peso, é melhor escrever “ver o meu colesterol nos níveis ideais” do que colocar “saúde” no papel.

É importante verificar se as razões da sua lista são de fato as mais importantes para você. Para alguns, a saúde é realmente o que motiva a perder peso. Para outros, a estética é o principal. Não existe resposta certa: procure a que é verdadeira para você.

DICA 2:
Saiba quais são suas metas e seus objetivos

Descreva a sua meta (a grande, a final) e, depois, procure dividi-la em etapas ou objetivos menores.

A meta também deve ser precisa: “voltar a correr”, por exemplo, é vago. Para quem já completou maratonas, talvez isso signifique percorrer mais de 40 km. Para o resto dos mortais, correr por 45 minutos, quatro vezes na semana, pode ser um ótimo desafio.

O fundamental é pensar também nas etapas intermediárias para se aproximar da sua meta. Para um completo sedentário, um bom começo pode ser caminhar por apenas 15 minutos diariamente. Ou seja, encare os objetivos de maneira bem realista, um passo de cada vez.

DICA 3:
Comemore suas conquistas

A cada objetivo alcançado, se dê uma recompensa. Estudos mostram que um dos diferenciais dos que cumprem com as promessas de fim de ano é que eles, de fato, se recompensam quando conquistam algo. A cenoura é mais poderosa do que a vara, especialmente quando nós mesmos controlamos a vara.

Se quem promete ficar longe do cigarro consegue passar uma semana sem fumar, esse já é um ótimo pretexto para comemorar.

Muitas vezes, temos vergonha de comemorar as pequenas conquistas. Nossa autoexigência insiste que não fizemos mais do que a obrigação.

Mas nem vale a pena nos perdermos nessa discussão infinita sobre a linha que separa nossos deveres de nossas conquistas. O que importa, se queremos mudar, é o que funciona. E, para a maioria das pessoas, o que funciona é encontrar uma recompensa, um modo de reconhecer o valor de nossos esforços.

DICA 4:
Melhore o seu ambiente

Facilite a sua vida. A mudança é favorecida pelo ambiente que construímos à nossa volta. É mais fácil comer bem quando a geladeira está repleta de alimentos saudáveis do que quando a despensa está cheia de doces.

Às vezes, a vontade de devorar guloseimas, por exemplo, parece brotar de dentro, mas é impulsionada pelo que acontece ao redor. Eu aposto que só de ler uma frase lembrando da delícia que é raspar uma colher na panela de brigadeiro, muitos leitores ficarão com desejo de comer o doce.

Nessa mesma linha, se sua meta é gastar menos, bloquear o WhatsApp e o e-mail que anunciam promoções das marcas prediletas pode ser um caminho.

DICA 5:
Encontre uma comunidade

Somos seres sociais e, como tais, encontramos motivação em um grupo com valores e objetivos semelhantes aos nossos.

Procure um grupo de corrida. Estude com amigos. Faça acordos com a família para deixar a comida de casa mais saudável.

Ter alguém que entenda o que você está passando e possa ajudar a levantar se você cair é, possivelmente, o maior semeador de motivação. Ao contrário do que costumam dizer, muitas vezes, a motivação não vem de dentro, mas das pessoas que nos cercam.

DICA 6:
Comprometa-se a não deslizar e aceite que você é humano e pode falhar

A ideia parece paradoxal, mas entenda que esses dois polos opostos precisam ser aceitos.

É importante que você se comprometa a não falhar, uma vez que a leniência excessiva faz com que um deslize se conecte ao próximo (e ao próximo, formando uma bola de neve). Assim, se você se programar para errar, talvez se veja cada vez mais preso aos hábitos que queria mudar.

No entanto, não somos perfeitos e, portanto, se não aceitamos possíveis falhas, a tendência é que fique difícil persistir nos comportamentos que nos aproximam de nossas metas quando tropeçamos.

Por isso, é importante conviver com essas duas ideias opostas ao mesmo tempo: eu não vou falhar mas, se acontecer, vou me comprometer a retomar o meu plano.

Pense no cuidado com que dirigimos um carro que nunca sofreu uma batida, nem um arranhão sequer. A atenção ao volante é redobrada, queremos que ele se mantenha imaculado. Com um carro raspado, temos menos cuidado. É como se uma raspada nos autorizasse a nos descuidar.

A ideia aqui é que precisamos dirigir como se o carro ainda estivesse novo, E, ao mesmo tempo, lembrar que uma raspadinha no retrovisor o desvaloriza menos do que a porta inteira arranhada. E, se possível, devemos consertar o retrovisor antes de dar perda total no veículo.

Como todas as dicas, essas estão fadadas ao fracasso em algumas ocasiões. Se mudar fosse fácil, psicólogos não teriam emprego. Aceite que é difícil, tente de novo e, então, faça um pouco melhor. E, se está difícil sozinho, procure um profissional qualificado.

Sobre o autor

Dan Josua é psicólogo, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Fez especialização em Terapia Comportamental e Cognitiva pela USP (Universidade de São Paulo) e tem formação em Terapia Comportamental Dialética pelo Behavioral Tech / The Linehan Institute, nos Estados Unidos. Atua como pesquisador e professor no Paradigma - Centro de Ciências e Tecnologia do Comportamento e dá cursos pelo Brasil afora ajudando a difundir a DBT pelo país.

Sobre o blog

É muita loucura por aí. Trânsito, mudanças climáticas, tensões em relacionamentos, violência urbana, maratona de séries intermináveis, spoilers em todos os cantos, obrigação de parecer feliz nas mídias sociais, emoções à flor da pele. O blog foi criado para ser um refúgio de tudo isso. Um momento de calma para você ver como a ciência do comportamento humano pode lhe ajudar a navegar no meio de tanta bagunça.

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