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Você conhece seus valores? Aprenda um exercício prático para revelá-los

Dan Josua

11/04/2019 04h00

Crédito: iStock

Não sei se existe uma vida feliz como os contos de fadas prometeram. Com certeza não existe vida desprovida de dor. Morte, doenças e mágoas fazem parte da existência humana. A questão, então, é o contexto em que isso tudo se encaixa. Ou, mais precisamente, a direção a que estamos levando nossas vidas enquanto tudo isso acontece. 

A sensação de que estamos caminhando no sentido que é verdadeiramente nosso, mais do que qualquer sentimento pontual, é o que parece separar as pessoas que se dizem felizes das outras. Geralmente, essas direções se dividem em três grandes horizontes: lazer, relacionamentos (amorosos, familiares e amizades) e trabalho e desenvolvimento pessoal, incluindo a espiritualidade.

Mas o problema é que saber quais são os nossos valores, aqueles que apontariam a tal direção, é bem mais difícil do que parece. Frequentemente, é complicado separar o que acreditamos que as outras pessoas esperam de nós do que o que de fato queremos. 

É fácil se ver correndo atrás de dinheiro ou fama, por exemplo, mesmo sabendo que, muito provavelmente, nossa felicidade não está amarrada a esses fatores. Veja bem, nada contra dinheiro nem contra a fama, mas freqüentemente na busca dessas coisas perdemos um tempo que poderíamos  dedicar aos nossos valores mais profundos.

Alguns roteiros podem nos ajudar a entrar em contato com esses valores de uma forma menos contaminada. Tente fazer o exercício abaixo, se possível, escrevendo suas respostas em uma folha de papel.

Imagine que estava viajando sozinho em um cruzeiro. No meio de uma tempestade o navio afundou e você se viu preso em uma ilha deserta. Alguns meses se passaram e as buscas para encontrá-lo foram em vão. Todos os seus amigos e familiares acreditam que você morreu. Tristes, eles organizam uma cerimônia de adeus. Ali, uma pessoa que você ama sobe no palco, pega o microfone e fala algumas palavras sobre você. Todo o evento é gravado por uma equipe de filmagem, que salva o vídeo em um pendrive.

Enquanto isso, sobre a sua ilha deserta, passa um  avião e avista o SOS que você escreveu com pedras na areia. Você é finalmente resgatado. Depois de uma semana de abraços e lágrimas, seus familiares confessam, um pouco envergonhados, que chegaram a desistir. Chegaram a gravar até mesmo uma cerimônia de despedida. Curioso, você pede para assistir à fita.

Nessa situação imaginária, tente responder algumas perguntas:

1. O que você gostaria que a pessoa que te ama, ao falar de você, tivesse dito? Veja bem, não estou pedindo para que você adivinhe o que ela teria falado, mas o que você sonharia que ela dissesse sobre você. Que tipo de pessoa você foi, como você dedicou seu tempo? Quais os princípios que guiaram as suas ações e como seriam percebidos por quem te ama?

2. Depois, reflita sobre as qualidades que essa pessoa atribuiria a você. Ela usaria palavras como coragem ou companheirismo? O que essas palavras significam para você? Por que gostaria que tivessem sido pronunciadas no discurso?

3. Por fim, o que você gostaria de ouvir sobre a maneira como tratou as pessoas à sua volta e você mesmo? A pessoa discursando estaria falando de compaixão ou de cuidado? De tolerância ou de exigência? De novo, reflita sobre o que essas palavras significam para você.

Releia o que você escreveu ao longo de toda a semana. Pendure essas respostas na sua geladeira ou no espelho do banheiro. Nos próximos sete dias se pergunte: o que eu posso fazer para me tornar a pessoa que seria homenageada com essas palavras?

Talvez, ao percorrer essa semana de reflexão, você se sinta cansado. Notará, quem sabe, que precisa fazer mais do que imagina para dar conta de ser quem você realmente gostaria de ser. Se for esse o caso, eu sugiro: faça menos. Um edifício sólido precisa de tempo para ser construído. Mas, seja como for, sempre se pergunte se você não tem mais a agradecer nessa semana do que você imaginava. Observe se, ao brincar desse exercício, você não se viu, um grama que seja, uma pessoa mais satisfeita com a própria vida. Uma pessoa mais feliz.

Sobre o autor

Dan Josua é psicólogo, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Fez especialização em Terapia Comportamental e Cognitiva pela USP (Universidade de São Paulo) e tem formação em Terapia Comportamental Dialética pelo Behavioral Tech / The Linehan Institute, nos Estados Unidos. Atua como pesquisador e professor no Paradigma - Centro de Ciências e Tecnologia do Comportamento e dá cursos pelo Brasil afora ajudando a difundir a DBT pelo país.

Sobre o blog

É muita loucura por aí. Trânsito, mudanças climáticas, tensões em relacionamentos, violência urbana, maratona de séries intermináveis, spoilers em todos os cantos, obrigação de parecer feliz nas mídias sociais, emoções à flor da pele. O blog foi criado para ser um refúgio de tudo isso. Um momento de calma para você ver como a ciência do comportamento humano pode lhe ajudar a navegar no meio de tanta bagunça.

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